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NOTÍCIAS - Cidade

Segunda-feira, 19/06/2017 10:38

Cresce o número de moradores de rua em SP

O número de moradores de rua na cidade de São Paulo cresceu mais de 50% nos últimos dois anos e é o dobro em relação ao ano de 2000



O número de moradores de rua na cidade de São Paulo cresceu mais de 50% nos últimos dois anos e é o dobro em relação ao ano de 2000, em grande parte por causa da crise econômica, política e moral que afeta o País. Os governos do Estado e do Município explicam que estão intensificando medidas para atenuar os problemas dessas pessoas.

Um dos mais antigos moradores de rua da cidade é José Aparecido Nogueira, hoje com 73 anos de idade, que tem sido visto há quase dez anos junto às coberturas externas de agências bancárias e de farmácias na Avenida Paulista. Na semana passada, ele foi tema de reportagem de dois sites da internet, o da Agência Brasil (do sistema Empresa Brasileira de Comunicação, EBC, do governo federal) e o do Terra, que destacaram este título: “Despejado da Cracolândia, idoso dorme na Avenida Paulista”. Em parte, aquele material jornalístico estava correto: o idoso existe e precisou mesmo sair às pressas de um quarto que ele alugava num hotel situada na Rua Helvetia, em 23 de maio, quando da ação do Governo do Estado e da Prefeitura para tentar acabar com a Cracolândia, oferecendo tratamento a viciados em crack e demolindo vários prédios, entre os quais aquele.

A equipe de Reportagem da Rádio Capital, que se preocupa com o avanço da miséria nas ruas de São Paulo e também com a ética no Jornalismo, foi atrás da fonte. O coordenador de Jornalismo da emissora, Luiz Carlos Ramos, percorreu algumas quadras da Avenida Paulista, passou por algumas dezenas de moradores de rua na altura da Praça Osvaldo Cruz e do cruzamento com a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, e reencontrou o senhor José Aparecido.

O termo correto é “reencontrou”, pois Luiz Carlos, como jornalista que circula pela cidade e procura conservar o “faro de repórter”, já tinha se familiarizado com a imagem do senhor José Aparecido, mas sem saber seu nome, desde a época em que seu lugar de dormir era a cobertura externa da agência da Caixa Econômica Federal na segunda quadra da Avenida Paulista. Assim como outras pessoas que se sensibilizavam com um senhor de idade esticado na calçada ao lado de sua bagagem de duas sacolas, Luiz Carlos dava uma nota de R$ 2,00 a cada encontro com aquele morador de rua.

Diante da divulgação da história do despejo de José Aparecido como possível vítima da pressa dos governos em demolir imóveis na Cracolândia, o coordenador de Jornalismo da Rádio Capital julgou que o tema poderia ser interessante também para os ouvintes da emissora, desde que bem checados com o próprio personagem. E não foi difícil para Luiz Carlos Ramos chegar ao senhor José Aparecido Nogueira, desta vez na região da esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona, em que ele tem ficado de dia e em algumas noites, pedindo esmolas: junto a duas farmácias, a Drogaria São Paulo e a Drogaria Onofre, e ao novo Shopping Cidade de São Paulo.

Na sexta-feira, 16 de junho, Luiz Carlos conversou com José Aparecido, tirou uma foto, aqui reproduzida, e julgou estar diante de uma triste e real história do Brasil em tempo de crise e de corrupção.

A conversa começou com o jornalista perguntando ao senhor sentado na calçada diante do jardim da fachada da Drogaria Onofre: “Quem o seu nome?” Ele respondeu “José Aparecido Nogueira”. A conversa prosseguiu depois de José Aparecido ter dito que ele tinha sido mesmo despejado da Cracolândia, onde mantinha um quarto. “Eles chegaram naquela manhã e começaram a gritar para a gente descer, que o prédio do hotel ia ser derrubado. Nem deu para pegar tudo o que eu, minha mulher e minha enteada tínhamos. Minha mulher foi morar em Sapopemba, na Zona Leste. Minha enteada está em tratamento em Campinas porque foi atropelada por um ônibus. Eu tenho morado por aqui. O aluguel do quarto era R$ 350,00, que eu pagava com esmola e com uma pequena ajuda do governo.”

José Aparecido contou que tem 73 anos, é de São José do Rio Preto, mas mora em São Paulo há muitos anos: “Fui seminarista e morei no Amazonas e na Venezuela, ajudando os padres. No Amazonas, sofri com a malária. Na Venezuela, tinha doença ainda pior, o tifo. Apesar de tudo, era um país muito interessante, mas agora, pelo que fiquei sabendo, virou um caos.”

A conversa terminou com Luiz Carlos perguntando sobre o que esse morador de rua pretende agora. A resposta: “Não quero albergue. Espero que a Justiça e o governo me apoiem, para que eu tenha outro quarto naquela região da Luz.”

O secretário de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, Fábio Santos, ao ser informado do caso de José Aparecido pela Rádio Capital, encaminhou as informações para o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará, para que ele, em conjunto com o secretário estadual Floriano Pesaro, possa examinar uma possível solução.

 

Por Luiz Carlos Ramos

 

 

(Foto: Luiz Carlos Ramos)

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